quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cibercultura e o novo paradigma comunicacional
Cibercultura é o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes,
de modos de pensamento e de valores, que se desenvolvem juntamente com o crescimento
do ciberespaço. O termo cyberspace aparece no romance Neuromancer (1984), de Gibson, para
definir uma rede de computadores futurista que as pessoas usam conectando seu cérebro a ela.
Ciberespaço é o "novo meio de comunicação que surge com a interconexão mundial de computadores;" é "o principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade
apartir do início do século 21"; "espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial
dos computadores e das memórias dos computadores"; "novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e de transação, mas também o novo mercado da informação
e do conhecimento" que "tende a tornar-se a principal infra-estrutura de produção, transação e
gerenciamento econômicos". (LÉVY, 1999, p. 32-167). Podemos dizer que ciberespaço significa rompimento paradigmático com o reinado da mídia de massa baseada na transmissão. Enquanto
essa efetua a distribuição para o receptor massificado, o ciberespaço, fundado na cod
ificação digital, permite ao indivíduo teleintra-interante a comunicação personalizada, operativa e colaborativa em rede hiper-textual. Em termos práticos, pode-se dizer: o site não deve ser assistido como se faz diante da tela da TV, e sim, manipulado, operado, pois a tela do computador conectado pressupõe imersão/participação/intervenção do indivíduo - experiência incomum na mídia de massa.
O professor atento poderá verificar que os sites ainda são, em geral, para se ver e saquear, e não, para interagir. Poderá concluir, então, que os especialistas em produção de websites
estão subutilizando o digital. É como se os webdesigners ou os criadores de sites tivessem  inveja da televisão, disponibilizando conteúdos online somente para que os internautas vejam e façam download.
Isso denuncia a força da tradição da transmissão não somente em Educação e na mídia de massa. Assim, professores e webdesigners poderão perceber que interagir é mais que assistir, ou seja, se aprendiz ou usuário produz, usa e controla, ele ganha; já se ele se tornar um usuário pacífico, que apenas fica sentado em frente à tela ou em frente ao professor, ao quadro negro, ele perde, torna-se tudo entediante. A modalidade comunicacional que emerge com a cibercultura chama-se interatividade. Não se trata meramente de um novo modismo. O termo significa a comunicação que se faz entre emissão e recepção entendida como co-criação da mensagem. Há críticos que vêem mera aplicação oportunista de um termo da moda para significar velhas coisas como diálogo e reciprocidade. Há outros acreditando que interatividade tem a ver com ideologia publicitária, estratégia de marketing, fabricação de adesão, produção de opinião pública.
Há também aqueles que dizem jamais se iludir com a interatividade entre homem-computador, pois acreditam que, por trás de uma aparente inocência da tecnologia amigável, soft, progride a dominação das linguagens infotécnicas sobre o homem. Sem dúvida, aqui estão críticas pertinentes. No entanto, há muito mais a dizer sobre esse conceito emergente, particularmente, sobre sua importância em Educação.
A despeito dessa banalização, pode-se verificar a emergência histórica da interatividade como novo paradigma em comunicação. A transmissão (emissão separada da recepção) perde sua força na era digital, na cibercultura, na sociedade da informação quando está em emergência a imbricação de, pelo menos, três fatores:
•tecnológico: novas tecnologias informáticas conversacionais, isto é, a tela do computador não é espaço de irradiação, mas de adentramento e manipulação, com janelas móveis e abertas a múltiplas conexões. Os informatas encontraram uma nova palavra para exprimir a novidade do computador que substitui as herméticas linguagens alfanuméricas pelos ícones e janelas tridimensionais que permitem interferências e modificações na tela;
•mercadológico: estratégias dialógicas de oferta e consumo envolvendo cliente- produto-produtor são valorizadas  pelos especialistas em propaganda e marketing;
•social: há um novo espectador, menos passivo diante da mensagem mais aberta à sua intervenção, que aprendeu com o controle remoto da TV, com joystick do videogame e agora aprende com o mouse. (SILVA, 2003a, p. 25-67)

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